Macunaíma, o Levita ( nova versão da história do bom samaritano)

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O batizado de Macunaíma – Tarsila do Amaral

O culto mais uma vez vai rolar solto, com a habitual falta de planejamento disfarçada de “liberdade para o Espírito”. Diversas cidades proibiram o uso de animais amestrados, mas a restrição infelizmente não vale para igrejas.

Chimpanzés, cavalos e leões estão livres dos números circenses, mas ovelhas continuam sendo estimuladas a repetir frases e gestos, sem esquecer do chatésimo “agora todo mundo profetizando para o irmão do lado”. Típicos em palestras de motivação ministradas (ops) por preletores despreparados, esses recursos toscos por vezes enchem… mais a paciência dos fiéis do que o ambiente de unção.

O pastor se preparou (ou ao menos deveria) durante horas. Pesquisou em diversos livros, descobriu preciosidades escondidas nas Escrituras e usou princípios de exegese, hermenêutica e homilética para alimentar adequadamente o rebanho.

No entanto, a galera do louvor geralmente não dedica o mesmo cuidado na hora da preparação. Músicas são escolhidas ao acaso (ou conforme as preferências musicais de quem lidera), a passagem do som resume-se a contar até três e, pior, quem dirige o louvor manda bala no improviso. Como aconteceu com o rei daquela historinha conhecida, frases feitas e gracinhas apenas revelam a nudez e o despreparo. Pelados na platasforma…

“Nós todos adoramos vencer, mas quantas pessoas adoram treinar?”, dizia Mark Spitz. O maior nadador olímpico de todos os tempos sabia do que estava falando. Se tivesse nascido na terra do jeitinho e da Bruna Surfistinha, o cara descobriria que por aqui o que é diminutivo também faz sucesso. Inclusive no quesito “caráter”.

Muitos músicos crentes babam de raiva ao ouvir as teorias de Darwin. Na prática, porém, parecem crer que a quantidade provocará o surgimento de qualidade. Esquecem-se de que o improviso dos jazzistas é fruto de altíssima quilometragem de dedicação e estudo. Em tempos de mantras e clichês, repetem sem parar a expressão típica de Macunaíma: “Ai que preguiça”.

Egoísta e oportunista, o anti-herói de Mário de Andrade abusou dos agás, sempre tentando se dar bem. Numa ilustração interessante do que rola em muitas igrejas, a trajetória do vagabo do romance culmina com a decisão de virar uma estrela. Macunaíma, o levita. Até quando?

Fonte: pavablog.blogspot.com /

Estamos clonando este artigo porque cremos que não  adianta nada ter uma tonelada de talento e nenhuma grama de caráter

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