Luz, câmara e… trevas – análise do Filme HELL BOY

Marcos Stefano
Revista Eclésia, nº 104

No, filme Hellboy, o, diabo pode até ser bonzinho.

Vermelho, fortão, com dois chifres, rabo e charuto na boca. Seria Satanás? Quase. É Hellboy. Criado em 1993 pelo desenhista americano Mike Mignola – originalmente, para os quadrinhos -, agora ele ganha as telonas com uma adaptação homônima do diretor mexicano Guillermo del Toro, que vem arrancando elogios da crítica especializada. A história começa durante a 2a Guerra Mundial. Aliando ciência e magia negra, os nazistas abrem um portal para o inferno que lhes daria a vitória. As forças aliadas conseguem impedir que o mal invada a Terra, mas um “bebê-diabo” escapa lá de dentro: é Hellboy. Nas mãos dos americanos, o demoniozinho renega sua natureza para o mal e vira a peça central de uma agência secreta no combate a outras criaturas malignas que invadem nosso mundo.

Hellboy é recheado de cenas com apelo ocultista. O inimigo do “Vermelho” é um tal de Grigori Rasputin, que apesar de ser declarado como morto na Revolução Russa de 1917, ressuscita 60 anos depois, com um ritual que envolve até sacrifício humano. A partir daí, começa a enviar outros demônios contra Hellboy a fim de desencadear o Apocalipse – nesse caso, não com a vitória de Cristo, mas a destruição da humanidade. Rasputin também costuma blasfemar contra Deus e considera-se, ele próprio, uma divindade.

Crucifixos e amuletos – Já o herói, interpretado pelo ator Ron Perlman, também tem suas recaídas. Em um cemitério de Moscou, Hellboy traz um morto de volta à vida mediante encantamento. Além disso, chama a atenção o uso de crucifixos, vidrinhos de água benta do Vaticano e relíquias de santos que são usados como amuletos, tudo numa atmosfera sombria e enigmática. “As histórias de Mike são ótimas. Ao mesmo tempo que é mítico e bizarro, consegue apresentar personagens muito humanos, vulneráveis e divertidos”, disse recentemente o diretor Del Toro, que ficou famoso por seus filmes recheados de terror como A Espinha do Diabo e Blade II – O caçador de vampiros.

Apesar de não ser conhecido do grande público, Hellboy aponta uma tendência: cada vez são mais comuns heróis como ele, que sintetizam o pensamento moderno, de que não existe o bem e o mal absolutos – tudo é relativo. Estes são os personagens que atualmente fazem mais sucesso, principalmente no meio da juventude. Têm um estilo rebelde, alguma ligação com as trevas e, normalmente, costumam negar os ensinamentos cristãos. Fora a densidade psicológica dos protagonistas de Hellboy e os efeitos especiais que suprem a superficialidade de uma história adaptada dos quadrinhos, é essa aversão aos princípios bíblicos que mais chama a atenção no filme. Tanto que um dos bordões do filme é: “Onde a luz. não se manifesta, o mal prevalece”. (Marcos Stefano)

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